
Quem nunca se sentiu triste por não conseguir comprar algo que tanto deseja, que jogue a primeira pedra.
Pode ser um tênis, um computador, carro, roupas de marca, etc... Todos nós, sem exceção, volta e meia nos esbaldamos em frente à vitrines, anúncios de jornais e propagandas na televisão. Algumas pessoas interpretam tal fato como infelicidade. Outras, como uma forma de motivação.
Porém não falo apenas de coisas relativamente simples que custam um pouco a mais do que outras, mas sim de mercadorias com valores exorbitantes. Daquelas que devem massagiar o ego do adquirinte por anos a fio, fazendo-o ganhar uma posição de destaque na sociedade em que vive, e que muitas vezes foi comprada por impulso, sem o mínimo de reflexão para deduzir se aquilo realmente vale o preço.
As madames, patricinhas e metrosexuais que me desculpem, mas será que pagar valores absurdos por artigos, como roupas e calçados são justificáveis ?
Somente o fato de serem da marca "Claudio Klein" ou da "Polo Armando" é o suficiente para pagar um valor incabível pelo artigo ? E olhem que estou sendo bem flexível, pois me refiro a cifras com mais de 5 digítos!
Não me considero uma pessoa de baixo poder aquisitivo, tenho tudo o que preciso e até mais do que isso. Porém procuro usar meu dinheiro com extrema racionalidade e coerência.
Acho extremamente desconfortável e de mau-gosto quando entro em alguma loja e as mercadorias expostas estão sem etiquetas, e sou obrigado a questionar o preço aos vendedores. Me passa a idéia que aquelas mercadorias estão ali como iscas no anzol, onde peixes irracionais passem em frente todos os dias (assim como eu nesse caso) e se encantem com uma determinada peça de roupa ou calçado, e numa transe compulsiva de consumismo só se preocupem com o preço quando estiverem na fila do caixa e com a sacola na mão.
Sinto que estão subestimando a minha inteligência.
Esta é justamente a filosofia do capitalismo. Não é o quanto que vale o produto, e sim quanto que as pessoas estão dispostas a pagar por ele. Desonesto ? Claro que não. O problema está na mente das pessoas. Nos conceitos, valores e costumes.
Embora eu esteja longe de ser um apreciador da atividade, freqüentemente visito lojas somente para olhar e ter idéia do quanto custa um determinado tênis ou peça de roupa, inclusive aquelas que de cara já sei que não posso comprar. E ao questionar o valor, mesmo já mentalizando uma quantia absurda, ainda assim muitas vezes sou superado pelo real preço do produto.
E isso me causa alguma chateação, ou me faz sentir inferior aos demais que o compram ? O fato de saber que não posso pagar pelo artigo que estou analisando ?
Não. É uma questão de padrões.
Posso até pagar um bom valor por uma roupa ou tênis, desde que não precise vender a minha moralidade.